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“Quero que os ídolos do Brasil sejam reconhecidos aqui como são no meu país”

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UMA VISÃO GLOBALIZADA DO MMA

Ele foi um dos primeiros americanos a perceberem que o Vale-Tudo brasileiro poderia ser um bom negócio. No ano de 1996 foi um dos organizadores do MARS (mostrado na 5ª edição da PVT Mag), onde Murilo Bustamante e Tom Erikson se enfrentaram em um épico da história do esporte.

Morando no Brasil há quase dois anos, Thomas Huggins hoje sonha com o dia que o esporte vai conseguir aqui o espaço que conquistou em seu país. Ou melhor, além de sonhar, Tom vem trabalhando duro pra isso.

Em visita ao escritório do Portal do Vale-Tudo na última terça, o promotor falou de seu novo evento, analisou a explosão do MMA em seu país e deu uma visão bastante interessante comparando os potenciais de ambos os mercados. Vale Conferir o bate-papo:

Conte-me sobre seu novo evento na Austrália. Como isso aconteceu?

O que aconteceu foi que nós reconhecemos que a Austrália é um grande mercado. Esse foi um mercado que eu tenho procurado, juntamente com o Brasil. Ambos são mercados que ainda não foram completamente explorados e têm muito potencial. Neste caso, nós decidimos começar a fazer eventos na Austrália, porque lá há cidades muito boas e temos a oportunidade real de ter parceiros de negócios para explorar e expandir. Parece ser a coisa certa a fazer e no momento correto.

Qual é o nome do evento?

Impact Fighting Championship ou Impact FC.

Você vai fazer três edições do evento?

Temos shows agendados para 03 de julho, em Auckland, na Nova Zelândia; 10 de julho em Brisbane e outro que será realizada em 18 de julho, em Sydney. Este serão os nossos três primeiros eventos. Viemos para explorar o mercado e mostrar para todos o nome do nosso evento. Preferimos fazer uma série de eventos e aparecer com força na mídia lá.

E sobre o card, o que você pode me dizer?

Posso confirmar os rumores que você já ouviu falar. Posso confirmar que, no card de 03 de julho, teremos Murilo "Ninja" Rua contra Jeremy May, em 10 de julho em Brisbane, teremos Josh Barnett contra Gerônimo “Mondragon” Dos Santos e em 18 de julho, teremos Ken Shamrock contra Pedro Rizzo. Esses são os que posso confirmar. O resto eu vou confirmar num press release dentro de alguns dias.

Você pretende fazer alguns eventos no Brasil?

Após esses eventos, estaremos fazendo um aqui no Brasil, em agosto, no Rio de Janeiro. E vamos continuar fazendo outros. A idéia não é fazer uma coisa uma vez só. Nós estaremos buscando uma expansão não somente no Brasil, mas também em outros mercados onde já passamos, para chegar a um monte de outros mercados. Há muitos mercados interessantes lá fora, que não foram exploradas. Como vocês aqui no Brasil serão capazes de ver as lutas, o pessoal da Austrália e Estados unidos também poderão acompanhar a transmissão. O mais importante para nós é que os nossos lutadores possam ser reconhecidos. Ao invés de fazer um show internacional, que não é transmitido e ninguém vê, o nosso será um show nacional que todos poderão ver ao redor do globo. O Brasil merece um grande show transmitido ao vivo para os Estados Unidos. Por exemplo, o Glover Teixeira no último Bitetti Combat fez uma grande luta, mas ninguém viu. O show tem de ser benéfico não só para o promotor, mas também para o lutador. MMA é um esporte globalizado, por isso penso que é necessário para qualquer bom evento ser transmitido internacionalmente.

Então a sua idéia é fazer shows grandes?

Todos os três eventos serão grandes, mais de 10 mil lugares. Todos eles serão transmitidos para a Austrália, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Brasil. No Brasil, fechamos um acordo com o Esporte Interativo, eles estão realmente interessados nesse mercado. Eles acabaram de comprar um canal aberto (canal 36) em São Paulo e acho que pode atingir milhões de pessoas. Nos Estados Unidos será em PPV ao vivo, e eu não posso liberar o nome da outra empresa que irá transmitir o evento depois do PPV, mas já está no contrato. Nós vamos ter 10 lutas por card, mas cinco lutas serão principais, ou seja, teremos 15 lutas top em 3 eventos.

Você mora no Rio há quase dois anos, como você vê o mercado aqui, comparando com os Estados Unidos?

O mercado aqui me lembra os Estados Unidos em 1996, logo no início do esporte. Muitas pessoas estão começando a perceber que MMA não é Vale-Tudo com brigas na rua. As pessoas nos Estados Unidos têm uma imagem de que o MMA é uma coisa muito grande aqui no Brasil e ambos sabemos que isso não é o caso. Há ainda muito preconceito das grandes redes de televisão, Globo, em particular.

Você pode sentir isso claramente?

Não sinto isso, estou afirmando. Eles não estão interessados nisso. Eu tive reuniões com os caras tops das mais importantes redes de TV no Brasil e eu sei o que eles pensam sobre MMA.

Mas você não sente que algo está finalmente mudando nos últimos quatro meses...

Definitivamente está. Quem poderia imaginar Demian e Anderson no Faustão há alguns anos? Muito deste aumento de interesse, nós temos que agradecer ao UFC e aos lucros que eles vêm fazendo, porque a única coisa que vai chamar a atenção dos diretores de TV no Brasil é a possibilidade de ganhar dinheiro com MMA, não a simpatia pelo esporte. Se eles estiverem convictos de que terão uma audiência grande o suficiente, eles não vão ficar para trás e irão nos apoiar. E eles estão finalmente começando a ver isso. Como no Premiere Combate, que é o canal que mais está crescendo na Globo, e isso diz muito. Está começando a abrir os olhos dos empresários... Está chegando o ponto em que as pessoas não podem mais ignorar. Agora, com a TV Record mostrando interesse e a Rede TV também transmitindo o UFC (uma semana após o canal de Combate mostrar ao vivo), muito em breve teremos uma batalha muito competitiva pela transmissão de eventos de MMA no Brasil.

Quanto aos Estados Unidos. Como você vê o mercado da televisão de lá para o MMA?

Há ainda muito espaço para crescer. A CBS já entrou forte no negócio, mas ainda temos ABC e NBC. A NBC tem algumas transmissões de MMA, além da HBO, que também está interessada. Então, as sete maiores redes de TV ainda não estão dentro e com certeza isso irá mudar o jogo, então ainda há muito espaço para crescer. Eu não diria que chegamos à metade do caminho para o pico ainda.

Quem é maior hoje nos EUA MMA ou Boxe?

Não dá pra comparar. Hoje o MMA é muito maior do que o boxe nos Estados Unidos. Eu Diria que Mayweather é o único cara que pode chegar a um número próximo do UFC. Nenhum outro lutador de boxe pode se aproximar do UFC. Não importa quem o UFC vai colocar para lutar em seu card, o nome da UFC em si garante números (PPV e venda de bilhetes) que o Boxe não pode alcançar hoje nos Estados Unidos.

E os outros eventos de MMA como Strikeforce?

O mesmo. Strikeforce vem sendo transmitido pela CBS e tem sido fantástico para o esporte como um todo. O maior UFC chega a ter uma audiência de 1,6 milhões de pessoas pelo PPV, enquanto Strikeforce em uma noite ruim, sendo transmitido pela CBS (canal aberto), esse número pode chegar a cinco milhões de pessoas.

Nos Estados Unidos você tem muitos milhões divididos por muitas redes. Aqui no Brasil, audiência normal da TV Globo num domingo é de 40 milhões...

O mercado é seccionado e subdividido nos Estados Unidos. Você tem ABC, NBC, CBS, as três principais redes, depois a FOX... depois você tem muitos outros, mas este quatro são os maiores e dividem o mercado. Você não tem nos Estados Unidos uma rede como a Globo no Brasil, que controla 90 % do mercado. Talvez a NBC na terça-feira, às 9 horas, controle 30% do mercado, o que significa cerca de 11 milhões de pessoas, mas nada comparável ao que a globo faz aqui.

Hoje você diria que o MMA é um dos três esportes mais populares nos Estados Unidos

Futebol americano é o esporte número um, mas tecnicamente se você olhar, ele é o número um para as pessoas de certa idade. Agora para as pessoas entre 18 e 34, o esporte número um é o MMA. O mais importante nisso é que esta é a faixa etária que está crescendo no mercado e com grande possibilidade de consumo, enquanto a do futebol, mais velha (34 a 39), gastam menos dinheiro. A faixa etária do público onde o MMA domina é a faixa que mais consome, o que significa que o mercado do MMA tem muito espaço para crescer.

Nos Estados Unidos e na Europa a maioria das pessoas vê o Rio como Oriente Médio, muito violento. Como americano, morando no Rio, há quase dois anos, você já passou por uma situação difícil no Brasil?

Eu acho que o Rio é como qualquer cidade grande. Todas as cidades grandes têm áreas violentas. Eu morei em Miami, Tampa, Nova York, Phoenix. Cada cidade tem uma área perigosa, naturalmente o Rio também tem. Eu já morei em Copacabana, Ipanema e agora eu moro na Barra da Tijuca, que é considerada uma zona muito calma. Nada de ruim aconteceu comigo no Rio de Janeiro. Na verdade um dia eu estava correndo para pegar um ônibus e o meu passaporte caiu do meu bolso na rua, então um entregador de motocicleta (da Parmê) viu meu passaporte caindo e seguiu o ônibus batendo na janela, gritando e me deu de volta. Se fosse nos Estados Unidos, isso não teria acontecido. Enquanto você viaja e tem sensibilidade, eu não acho que você vai ter problemas no Rio de Janeiro.

Como um fã, qual o lutador que você mais gosta?

No passado eu admirava o Igor Zinoviev. No momento, há o Anderson Silva, Fedor e os seres humanos. Eu vi Anderson treinamento na academia do Minotauro e ele me fez achar que estava ficando maluco, porque parecia que todo mundo estava em câmera lenta.

Como um promotor americano no Brasil, qual seria o seu sonho? O que você gostaria de ajudar a fazer no Brasil?

Todos os mercados pra se estabelecerem precisam de muito trabalho. Uma coisa que seria de fácil contribuição seria manter uma estabilidade. Tem de haver regras que sejam uniformes, não pode haver torneios que não dêem uma estrutura que preze pela saúde dos lutadores. Tem de haver equipamentos para a proteção deles, para que nenhum se machuque seriamente. Tem de começar a haver testes antes e depois das lutas para prezar pela integridade física dos atletas. Além disso, tem de haver provas e contraprovas para que haja uma transparência quanto ao doping, algo que em muitos torneios realizados no Brasil não há. Isso é um risco para todos, porque se algum atleta ficar doente e algo acontecer no ringue, todos irão sofrer as conseqüências disso. Eu gostaria de ajudar a estabelecer regras que sejam padrões e também ajudar na expansão do esporte buscando grandes patrocínios e em contratos com redes de TV, visando atingir o grande público no Brasil. Aqui é o berço do esporte, o lugar onde ele nasceu, então temos que dar mais apoio. Os fãs não percebem muitas vezes que os melhores lutadores do mundo estão aqui. Eles muitas vezes não têm visibilidade e por isso a maioria não sabe quem eles são. Dois exemplos que posso citar são Anderson Silva e Rodrigo Nogueira, que lá nos Estados Unidos são tratados como ídolos e parados na rua, enquanto aqui se eles estiverem andando no outro lado da rua ninguém presta a atenção. É um ou outro cara que os param e dizem que os conhecem. O que o Brasil tem de melhor é matéria prima, mas não há uma estrutura para que eles se desenvolvam e mesmo assim o país produz grandes campeões. Eu penso que as pessoas aqui no Brasil não dão o reconhecimento que merecem. Eles são os melhores, mas se você for ver, o máximo que aparece deles são alguns artigos pequenos. Se você parar nos Estados Unidos um americano médio na rua e perguntar se eles sabem o nome de cinco jogadores de futebol brasileiros, eles não estarão aptos a responder. Eles vão provavelmente citar o Pelé, que é um jogador que todos conhecem e que não está nem mais jogando, mas se for de algum jogador recente de sucesso como o Ronaldo, é capaz de eles não saberem. Agora se você perguntá-los sobre nomes de cinco lutadores brasileiros, eles dirão. Você não precisa nem perguntar para alguém que seja grande conhecedor. Se você for ao Hooters que é um restaurante típico de lá e perguntar para alguma garçonete, ou qualquer pessoa comum, o nome de cinco lutadores brasileiros, eles te dirão. Isso é incrível. O Brasil pensa que só é famoso pelo futebol, mas nos Estados Unidos não é. Ele é famoso pelo MMA. Isso é algo que eu cheguei a dizer para um amigo meu em que seus filhos iam estudar nos Estados unidos por alguns anos. Falai para ele que seus filhos precisavam praticar um pouco de jiu-jitsu antes de chegar lá e ele me perguntou por quê. Eu lhe disse que se eles chegassem lá dizendo que eram brasileiros, todos iam querer saber se eles praticavam jiu-jitsu. Você luta como um Gracie ou como os Nogueiras. Isso realmente acontece. Eu quando era criança conheci uns chineses e eles me perguntavam coisas sobre o meu país. As pessoas querem saber disso e esperam por isso. Essa é a percepção que eles têm. Eu não vejo a hora dos ídolos brasileiros serem reconhecidos aqui como são no meu país.

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